sexta-feira, julho 20, 2007

Com cartão Unimed, na fila do SUS

Que a saúde do Brasil está na U.T.I. não é novidade nenhuma pra ninguém. E se o sistema de saúde pública não dá sinais de vida, o melhor a fazer é se submeter a um contrato com um plano de saúde, que na verdade só traz gastrites, úlceras, dores de cabeça e, se tiver menos paciência, até um infarto. Pois bem, eu quase passei por um.

Depois de deixar o emprego em que trabalhei por cinco anos, meu plano de saúde também foi para o espaço. Para não ter de enfrentar aquele tempinho chamado carência, fui até a Unimed. Colocar os pés dentro do escritório do plano de saúde é o mesmo que pegar em Césio 137: você acaba se contaminando pelo resto da vida, ou sobrevida, que você passa a ter. Fiz meu contrato de um ano. E como já estava mais que escaldado com os atrasos na entrega das faturas – pelo contrato, a empresa tem que enviar a fatura ao cliente, de modo que ela esteja disponível para pagamento com cinco dias úteis de antecedência. É claro que isso raramente acontece!

Algumas vezes cheguei a receber a fatura um dia depois do vencimento. Multa? Eles não querem nem saber! Mas fui atrás, reclamei, briguei e reviram minha situação. Tive que ir até o local, mas paguei sem multa. Depois me alertaram que, caso a conta não chegue até o dia do pagamento, eu devo entrar em contato e solicitar outra fatura. Segundo a Unimed, a culpa é dos Correios. E fica por isso mesmo. Mas que seja do Osama... Eu é que não tenho nada a ver com a paçoca. O contrato é claro! Mas acabei por ter um idéia. Até então, achava que seria genial: colocar a cobrança em débito automático na minha conta-corrente. Pronto. Assim, caso houvesse atraso novamente, e isso é fato, eu não precisaria me preocupar mais.

Que esperança! A primeira fatura pós débito automático veio com um cabeçalho que me intimava a conferir, todos os dias do vencimento das faturas, se a cobrança havia sido efetuada na minha conta. Ora! Se eu coloco uma conta em débito automático é para não ter mais a preocupação com a malfadada. Com isso, a Unimed tenta se livrar da culpa, caso haja qualquer falha na cobrança. Nesse caso, o cliente acaba sendo o "culpado" e a empresa sai bonitinha na fita. Liguei mais de 15 vezes pedindo, exigindo, na verdade, para que fosse tirado aquele cabeçalho da minha fatura. Até hoje, nada!

Então, fica assim: coloque sua fatura da Unimed em débito automático, mas todo dia do vencimento você terá de conferir se o lançamento foi feito. E mais: o lançamento é feito só no final do dia, depois que o horário bancário se encerrou. Só no outro dia é que você fica sabendo se a fatura foi paga ou não. Caso não tenha sido efetuado o pagamento, a multa come solta e você volta para a fila do SUS, porque imediatamente o cartão da Unimed é bloqueado. Aí, a empresa diz: "Por isso tem de conferir se a cobrança em débito automático foi feita".

Por Rimene Amaral

Pra que facilitar se pode complicar?

O clima no País é de tanta comoção, diante do terrível acidente com o avião da TAM, que até me pareceu ilegítimo reclamar de um problema menor, como o que enfrentei recentemente em relação a essa companhia aérea. No entanto, me decido a escrever a respeito, até mesmo para advertir as pessoas do que as espera caso viajem pelo Brasil. Recentemente, estive em Curitiba. Meu vôo de volta iria para Congonhas e de lá viria até Goiânia. Depois dessa horrenda tragédia, resolvi mudá-lo para Brasília, até porque certamente seria desviado para Guarulhos.

Procurei então uma loja da TAM na cidade. Encontrei-a após muita dificuldade, uma vez que nem eu nem a amiga que me recepcionava conhecíamos bem Curitiba. Ao solicitar a mudança do vôo, porém, fui informada de que, como eu havia comprado minha passagem em uma agência de viagens - CVC - não poderia alterá-la na loja, somente nos guichês do aeroporto ou na própria agência. Imagine ter que procurar mais uma vez um novo endereço na cidade desconhecida. E se eu tivesse comprado a passagem em uma pequena agência, sem filiais em outros pontos do país? Tive que ir até o aeroporto.

Como todos sabem, quase todos os aeroportos - ainda bem - ficam distantes do centro das cidades. Tive, portanto, de tomar mais um ônibus até lá. O vôo para Brasília só sairia no final da tarde, ao contrário do vôo para São Paulo, previsto para o início. Assim, passei praticamente todo o meu último dia de estadia em Curitiba, andando pra lá e pra cá de ônibus, simplesmente porque tais companhias parecem se basear na seguinte lógica: "pra que facilitar se pode complicar?" Não levam em consideração que o turista em geral não tem facilidade de deslocamento nos locais que visita e que ainda carrega pesada bagagem.

O engraçado é que, há um ano, fiz uma mudança semelhante quando estava em Belo Horizonte. Na ocasião, fui a uma loja em um shopping center, uma vez que já não fazem a alteração nem por telefone nem por internet. As atendentes de Curitiba, todavia, com uma visível má vontade, disseram que as novas regras estavam funcionando havia um mês.

Neste nosso país, que decididamente não é sério, as regras mudam sempre o tempo todo. Para pior.

Por Cássia Fernandes
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